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Quarentenas funcionam para combater o coronavírus? Veja o que dizem os estudos

Quarentenas são adotadas pelo menos desde o século 14 como forma de evitar o espalhamento de doenças infecciosas.

Dezenas de estudos científicos apontam que medidas de distanciamento social têm sido eficazes para reduzir o número de infectados e mortos ou diminuir a sobrecarga dos hospitais. Mas, em geral, elas não conseguem debelar a pandemia sozinhas, sem a ajuda de testagem em massa ou rastreamento de infectados, e dependem muito da adesão popular em cada país.

Mas se a eficácia do distanciamento é consenso entre especialistas, por que parte dos governantes e cidadãos pede seu fim? Principalmente por causa do custo socioeconômico desse fechamento, que gera desemprego e empresas quebradas.

No Brasil e nos Estados Unidos, os respectivos presidentes contestam também a eficácia da medida sob diversos argumentos, como o de que alguns países tiveram milhares de casos mesmo com quarentenas e outros triunfaram sem adotar esse distanciamento em massa. Para eles, a gravidade da doença não justifica o confinamento de todo mundo, mas só dos grupos de risco — ainda que isso seja inviável, segundo especialistas.

Ao todo, mais de 3 bilhões de pessoas no mundo chegaram a ser submetidas, ao mesmo tempo, a medidas como suspensão de aulas, fechamento de comércio não essencial e distanciamento físico. Em alguns lugares, o cumprimento das normas é obrigatório.

Segundo alguns dos principais grupos de pesquisas de epidemia do mundo, quanto menos gente circula nas ruas, mais devagar a doença se espalha. E quanto mais cedo isso acontece, menos gente ficará doente no fim. Logo, é consenso entre pesquisadores que o distanciamento físico entre as pessoas funciona, e o principal problema agora é como sair dele. Segundo dois pesquisadores americanos, para cada 1 ponto porcentual a mais de pessoas que fazem viagens diárias não essenciais, aumenta em 7 pontos porcentuais o número de novos casos.

Marcelo Gomes, pesquisador em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e coordenador do InfoGripe, que monitora os casos de covid-19 e outras síndromes respiratórias, cita como exemplo a relação entre a adesão popular ao distanciamento social e o número de internações por causa da doença.

Nas últimas duas semanas de março, havia menos gente nas ruas brasileiras. Em seguida, percebeu-se uma diminuição significativa nas internações e mortes. Semanas depois, o cenário se inverteu e o número de pessoas fora de casa cresceu. Duas semanas depois, a quantidade de gente internada aumentou consideravelmente.

Há impacto também no número de mortes que poderiam ser evitadas. Dois cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) afirmaram que uma vida seria salva por minuto ao longo de duas semanas caso o Brasil mantivesse o patamar de distanciamento social.

Em carta aberta, 39 pesquisadores brasileiros afirmaram que “todas as projeções que fizemos, assim como comparações com o que aconteceu em outros países, mostram que muitas vidas foram salvas devido à redução da taxa de contágio e preservação da capacidade de atendimento hospitalar”.

A adoção de quarentenas, distanciamentos e isolamentos foi tema de dezenas de estudos científicos publicados ao redor do mundo. Mas até que ponto eles cravam a eficácia dessas medidas?

Em uma revisão crítica, 11 pesquisadores analisaram 29 estudos feitos em três epidemias de coronavírus, sendo 10 deles nesta de covid-19. Eles apontam que medidas de distanciamento diminuem “em 44% até 81% o número de pessoas com doença, e reduzem em 31% até 63% o número de mortes”, segundo o trabalho publicado pelo Instituto Cochrane, sob encomenda da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Outros estudos vão além da eficácia do distanciamento e analisam o depois, mais especificamente, o impacto econômico que a testagem em massa gera ao ser associada a um isolamento mais seletivo, apenas de doentes ou de quem teve contato com infectados. Um deles, assinado por dois pesquisadores dos EUA e um da Alemanha, afirma que essa estratégia salvaria vidas e permitiria uma retomada maior da economia porque as pessoas saudáveis se sentiriam mais seguras de circularem sem incertezas sobre quem está infectado nas ruas.

Para cientistas, o problema não é flexibilizar o isolamento, como defende parte dos governantes e dos cidadãos. Ninguém da área científica defende longas quarentenas, mas, sim, a reabertura com todos os cuidados necessários para evitar novas ondas de casos, como testes em massa, rastreamento de infectados e ter superado o pico de casos. Mas essa lição de casa o Brasil ainda não fez.

Séculos de confinamentos

Quarentenas são adotadas pelo menos desde o século 14 como forma de evitar o espalhamento de doenças infecciosas. Elas variam em grau e duração, mas, em geral, envolvem um período de isolamento de pessoas infectadas ou que tiveram contato com alguém doente.

“Quando medidas de quarentena são introduzidas, elas não são apenas baseadas em cálculos médicos sobre se serão ou não eficientes para parar ou reduzir o avanço de uma doença infecciosa”, explicou Mark Harrison, professor de história da medicina na Universidade de Oxford, à BBC. “Você toma medidas como quarentena para atender a expectativas de outros governos, e também para tranquilizar sua própria população.”

O distanciamento de populações inteiras é mais raro. No início do século 20, como o isolamento apenas de pessoas doentes não foi suficiente para conter o espalhamento da gripe espanhola (1918-20), muitas localidades passaram a adotaram esse bloqueio total, envolvendo pessoas saudáveis que nem tiveram contato com alguém infectado.

Estudos posteriores apontaram que as cidades à época que tiveram maior e mais longo distanciamento social registraram menos mortes.

Nos anos 2000, o controle feito por governos durante períodos de isolamento chegou a um novo patamar durante a epidemia de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês), ligada a um tipo de coronavírus. O governo chinês ameaçou executar ou prender qualquer um que fosse encontrado violando as regras da quarentena e espalhando o contágio.

“Durante o surto em 2003, quando começou a se espalhar para outros países, confinamentos de vários tipos foram usados extensivamente. Essas medidas de contenção foram ligadas ao sucesso de se ter conseguido evitar que a situação pandêmica fosse pior”, disse Harrison, da Universidade de Oxford.

Fonte BBC Brasil

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