O que é fobia?

A fobia é um medo persistente e irracional de um determinado objeto, animal, atividade ou situação que represente pouco ou nenhum perigo real, mas que, mesmo assim, provoca ansiedade extrema.

Fobia nem sempre é uma doença em si. Pode ser um sintoma de outra causa subjacente – geralmente um transtorno mental. De qualquer forma, o medo sentido por pessoas que têm fobia é completamente diferente da ansiedade que é natural dos seres humanos.

O medo, por si só, é uma reação psicológica e fisiológica perfeitamente que surge em resposta a uma possível ameaça ou situação de perigo. Já a fobia não segue uma lógica propriamente dita, e a ansiedade nesses casos é incoerente com o perigo real que aquilo representa.

A fobia costuma ser de longa duração, provoca intensas reações físicas e psicológicas e pode comprometer seriamente a qualidade de vida de quem a tem.

As fobias têm cura. E, ao contrário do que muita gente pensa, o tratamento não é complexo, sendo na maioria dos casos uma terapia rápida, que não proporciona desconforto ao paciente.

Terapia cognitivo comportamental

A terapia cognitivo comportamental é, de longe, o mais indicado para o tratamento de fobias. “É feito um remanejamento de pensamentos. A pessoa vai sendo exposta aos objetos que geram medo, mas de uma forma mais controlada”, explica Ana Cristina.

A chamada terapia de exposição com prevenção de resposta obedece uma escala de zero a 10, sendo que o zero é um estímulo que não causa nenhuma aversão a quem tem fobia e o 10 o estímulo que provoca mais sofrimento. “Tem que ser bem gradual, o paciente vai sendo exposto aos poucos até se acostumar com o objeto ou situação”, explica Lopes.

O psiquiatra explica que, embora algumas teorias psicanalíticas procurem buscar a raiz do problema, o intuito do paciente no momento de sofrimento é se livrar da fobia, então o tratamento deve ter foco no presente. “Precisa ser de hoje para trás. Em alguns casos, o primeiro trauma que fez a pessoa ter a fobia nem mais tem significado”, explica.

Hipnose

O psiquiatra e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Fernando Portela Câmara explica que a hipnose é muito bem indicada no tratamento das fobias simples, que são aquelas em que a pessoa tem uma aversão a um objeto ou situação, como medo de insetos, sangue, altura ou viajar de avião. No caso da fobia social, quando a pessoa tem medo de ser julgada ou sofre para falar em público, a hipnose não funciona bem.

“A pessoa é levada a enfrentar o medo dentro do transe hipnótico, que é um estado relaxado. Ela confronta na imaginação o estímulo fóbico, mas ao mesmo tempo o terapeuta mantém a pessoa relaxada, ou seja, cria um reflexo de tranquilidade.”

Osmar Colas, professor e coordenador do grupo de estudos de hipnose da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que a hipnose proporciona a dessensibilização dos sintomas. “Começamos com a terapia cognitivo comportamental para ensinar a pessoa a controlar os sintomas físicos do medo, como palpitações, respirações rápidas, etc. Depois, a hipnose vai ajudar a amplificar o resultado dessas técnicas”, explica Colas.

Na hipnose, a exposição ao objeto ou situação em que alguém tem fobia é feita pela imaginação. “É mais confortável porque a pessoa sabe que está ali na poltrona do consultório, que está segura. Mas ela vai sentir como se estivesse em contato com a razão do seu medo, é uma realidade virtual”, explica o professor da Unifesp.

Outra técnica é regredir o paciente hipnoticamente para encontrar a razão da fobia, e então mudar o significado daquilo que foi mais traumático. “A regressão deve ser muito cuidadosa, para não gerar desconforto no paciente”.

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