É importante saber, primeiramente, quais são as diferenças entre regurgitação e refluxo.
Henrique Gomes, pediatra e gastropediatra do Hospital Santa Lúcia, de Brasília, explica que a regurgitação é o retorno do alimento, no caso, o leite, ingerido. “A regurgitação tanto pode ser sintoma de refluxo gastroesofágico fisiológico quanto patológico.

Vale lembrar da existência de refluxos ocultos, quando não há presença da regurgitação do leite pela boca, porém, podendo apresentar dor na ocasião ou até mesmo outras patologias associadas”, diz.

O gastropediatra destaca que, também chamada popularmente de “golfada”, a regurgitação é normal até o sexto mês de vida, com grande diminuição dos sintomas no terceiro mês.

Catherine ressalta: “a regurgitação pode ser definida como o retorno de pequena quantidade de conteúdo gástrico ou esofágico para faringe e a boca, sem esforço. O refluxo é o retorno do conteúdo gástrico ate o esôfago”.

Sintomas do refluxo fisiológico

Catherine explica que, quando o refluxo é fisiológico, é mais comum nos primeiros meses de vida, ocorrendo regurgitações repetidas, sem outros sintomas ou condições associadas.

Sintomas do refluxo patológico

Gomes destaca como principais sintomas neste caso:

  • Choro intenso durante ou após as mamadas;
    Irritabilidade;
  • Alterações no sono;
  • Sintomas respiratórios e otorrinolaringológicos associados (tosse crônica, asma, otite média);
  • Baixo ganho de peso.

O que fazer em caso de refluxo?

Pode-se tentar em casa algumas medidas simples, como manter o bebê em posição ereta por 20 minutos depois de cada mamada e elevar um pouco a cabeceira do berço. Outra alternativa é aumentar a frequência das mamadas para diminuir a quantidade de leite em cada uma delas.

Mas, vale destacar, caso o refluxo esteja associado a outros sintomas, o ideal é levar o bebê ao pediatra o quanto antes. Qualquer tipo de tratamento, afinal, deve ser orientado por um médico.

Causas do refluxo em bebês

Catherine destaca que a principal causa é a imaturidade do trato gastrointestinal. “Vale lembrar que os mecanismos que impedem o retorno do conteúdo gástrico até o esôfago e boca ainda estão em desenvolvimento”, diz.

Em casos patológicos, o refluxo pode estar associado a condições específicas como estenose congênita do esôfago, fístulas traqueo-esofágicas, estenose hipertrófica do piloro, alergias alimentares, entre outras.

Gomes destaca que, em alguns casos, a exclusão de defeitos anatômicos, como a estenose hipertrófica do piloro, é necessária. “Outros fatores de risco são a prematuridade e associação com doenças neurológicas”, diz.

Medidas preventivas: como evitar o problema?

Catherine explica que os pais podem adotar as chamadas medidas antirrefluxo, que são:

Elevação da cabeceira a 30 graus. Dica: isso pode ser feito com adoção de travesseiros ou berços com mecanismo antirrefluxo.

Aguardar alguns minutos, após as mamadas para colocar o bebê no berço, mesmo quando ele arrotar. Dica: geralmente 10 a 15 minutos após a mamada já são suficientes.

Medidas dietéticas: alguns alimentos podem reduzir o tônus do esfíncter, que é um dos mecanismos antirrefluxo e /ou aumentam a acidez gástrica. Nesses casos, devem ser evitados alimentos gordurosos, frutas cítricas, tomates e café.

Gomes ressalta que alimentos que favorecem as cólicas também estão relacionados ao refluxo nos primeiros meses de vida, como os cafeinados, os gaseificados além de ingestão em excesso de leite de vaca e derivados.

Tratamentos contra refluxo em bebês

Catherine lembra que nos casos do RGE fisiológico, ele é considerado transitório, e sua redução é esperada por volta dos quatro a seis meses de idade, com a introdução de alimentos sólidos e a adoção de postura mais ereta, dada pelo desenvolvimento neuropsicomotor.

Já o refluxo gastroesofágico patológico, conforme destaca Gomes, é tratado com medidas posturais, mudanças do hábito alimentar materno, além do tratamento medicamentoso específico. “O médico pediatra está habilitado para dar as orientações necessárias além de iniciar tratamento medicamentoso quando este for o caso. Em algumas situações, o médico gastroenterologista pediátrico é importante para o seguimento desse paciente”, diz.

Catherine reforça que o refluxo patológico é tratado com orientações aos pais, medidas antirrefluxo, medidas dietéticas como introdução de fórmulas infantis espessadas, introdução precoce de alimentos mais sólidos e medicações para proteção e esvaziamento gástrico e diminuição das regurgitações.

6 pontos que devem ser observados e levados à consulta

É interessante já ir preparado para a consulta com o pediatra, anotando os possíveis sintomas associados ao refluxo do bebê e também levando as perguntas ao médico.

“Os pais devem informar ao pediatra suas preocupações e angustias sobre as regurgitações e desenvolvimento do seu bebê. A consulta de rotina do bebê até seis meses, que deve ser mensal, é um importante ponto para se diagnosticar a doença do RGE, pois nela o pediatra avalia o peso e o crescimento do bebê e as queixas dos pais”, destaca Catherine.

Henrique Gomes orienta:

É importante que o médico pediatra assistente oriente os pais sobre a diferenciação do refluxo gastroesofágico fisiológico do patológico;

Os pais devem avisar ao médico assistente se o bebê é muito choroso, se ele se irrita durante ou após as mamadas;

Os pais devem observar a curva de ganho de peso do bebê e sempre conversar com o pediatra a respeito se esse ganho está dentro dos parâmetros da normalidade;

Os pais devem observar se o bebê apresenta quadro de tosse persistente de difícil resolução, além de infecções respiratórias ou otorrinolaringológicas de repetição;

Devem observar se o bebê regurgita ou vomita com frequência;

Devem ainda observar o padrão de sono do bebê (se é agitado, se acorda com frequência).

Com o olhar atento dos pais e as consultas de rotina do bebê “em dia”, tudo tende a correr bem e, ainda que o refluxo seja patológico, será tratado da melhor maneira possível.

DEIXE UMA RESPOSTA