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Esporte ajudou professora de Zumba a enfrentar o câncer de mama

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Segundo informações do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é um dos tipos da doença mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, ficando atrás somente do de pele. Por aqui, de todos os casos anuais, pelo menos 29% são de câncer de mama. Por isso a necessidade de dedicar um mês inteiro somente para a conscientização e prevenção dele. 

Só quem já passou pela situação sabe das dificuldades, medos e incertezas que são enfrentados durante o tratamento. Contudo, algumas práticas podem ajudar nesse processo. É o caso da atividade física. “Antes, os médicos recomendavam repouso. Hoje em dia, a gente já sabe que o esporte traz benefícios para os pacientes”, explica a cardiologista Renata Castro, especialista em medicina esportiva da Clínica Care Club. 

De acordo com a médica, as vantagens em aliar uma vida ativa com o tratamento da doença são inúmeras. A começar pelo lado social. Uma vez que a pessoa tem a oportunidade de conversar e interagir com grupos diversos e fazer amigos, ela pode diminuir sentimentos como solidão e medo.

Além disso, também há uma melhora da fadiga e até uma resposta mais positiva ao tratamento, dependendo do grau da doença. “Estudos atuais mostram que quem se exercita na véspera da quimioterapia sente menos os efeitos colaterais da sessão – que podem causar náuseas e mal estar profundos”, afirma Renata Castro. 

E ainda há mais uma vantagem em investir na academia durante o processo de recuperação. Uma pesquisa publicada no JACC CardioOncology, no final de setembro, apontou que as mulheres que se exercitavam antes da quimioterapia apresentaram menores riscos de desenvolver doenças cardiovasculares depois dela (chances de 20% a 37% menores do que as que não praticavam nada). “É claro que cada paciente responde de forma diferente. Mas as sessões de tratamento do câncer de mama são focadas na região do tórax. Em alguns casos, isso pode afetar o coração. Por isso, fortalecê-lo com atividades aeróbicas é muito importante”, explica a cardiologista. 

História real 

Reprodução – Divulgação

Um caso parecido é o de Joselita Figueiredo dos Santos Schnell, de 46 anos. Ela nasceu em São Paulo, mas atualmente mora na Alemanha com o filho de 11 anos. Há um, descobriu um câncer agressivo em sua mama esquerda. “Eu sempre faço os exames de toque e mamografias anuais, e nunca tinha desconfiado de nada. Foi somente no ano passado que comecei a perceber sintomas estranhos no meu seio esquerdo: ele estava maior que o direito e com uma espécie de massa dura. Eu sentia dor na região, mas tinha perdido totalmente a sensibilidade do mamilo”, lembra. 

No começo, a professora de Zumba pensou que as mudanças tivessem algo a ver com os hormônios em seu corpo. Foi ao passar o feriado de Páscoa no Brasil e contar o que estava acontecendo para sua irmã, Mirian, que ela começou a se preocupar. Logo que voltou para a Alemanha, fez todos os exames que detectaram a doença. “A médica foi muito radical. Disse que era um tipo bem invasivo e agressivo, que tende a se espalhar para outras partes do corpo (metástase).” 

Felizmente, o câncer de Joselita não tinha evoluído para nenhuma outra região. Apenas para as axilas, o que é comum de acontecer. A partir daquele momento, ela precisou começar imediatamente o tratamento: uma pequena cirurgia para otimizar o efeito dos medicamentos; 4 sessões de quimioterapia vermelha, considerada mais forte; mais 12 sessões da branca, a mais fraca; e, por fim, a retirada da mama. “Meus dois grandes medos eram ter que parar de trabalhar com o que eu amo (as aulas na academia) e perder o meu cabelo”, conta. 

Foi então que ela encontrou alguém para se inspirar. Joselita trabalha em uma creche do governo da Alemanha. Mas também é especializada e dá aulas de Zumba e Piloxing (uma mistura de pilates, boxe e coreografias de dança). A ideia de não ter forças durante o tratamento para ensinar a atividade física a apavorava. “Então eu lembrei de uma aluna minha que passou pela mesma coisa que eu. A convidei para vir à minha casa, e contei o que estava acontecendo. Foi quando ela respondeu: ‘eu estou aqui, firme. Me use como exemplo para você”, e foi o que fiz. 

No começo, não foi tão fácil. A professora conta que sentia cansaço na primeira semana de cada sessão de quimio vermelha, mas que, depois, voltava à rotina normal. “Em alguns momentos, me deitava na cama e pensava que não ia conseguir, que ia chamar alguém para me substituir. Mas então colocava na cabeça que eu precisava fazer aquilo, e dava tudo de mim nas aulas. Os alunos até elogiavam”, lembra. “O esporte ajuda a pessoa a não entrar em depressão, e a não regredir no tratamento. E foi o que aconteceu comigo. Também sinto que, por ter sido uma pessoa ativa a minha vida toda, meu corpo já estava forte e preparado para enfrentar a doença.” 

Fonte: Boa Forma

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