Todos nós somos seres únicos no mundo. A frase é antiga e até um tanto clichê, mas é verdadeira. Sobretudo do ponto de vista biológico: cada organismo tem características que são exclusivas dele, e mais ninguém pode ter igual, nem mesmo pais, filhos ou irmãos gêmeos.

Batimentos cardíacos

Cada coração pulsa em um ritmo único. Pode ser que ao encostar o ouvido no peito de duas pessoas, haja a impressão de que eles batem em uníssono, mas quando a medição é sobre os impulsos elétricos a diferença é clara.

A medição de eletrocardiograma registra três ondas geradas a partir do movimento do coração: a contração superior, a contração inferior e o relaxamento do órgão. A frequência dessas ondas é individual e impossível de reproduzir – até porque os batimentos cardíacos não são controlados pela consciência.

Há empresas trabalhando no desenvolvimento de medição de batimentos para substituir os modelos de biometria atuais, que envolvem normalmente impressões digitais ou íris dos olhos.

Impressão digital

Nossas impressões digitais foram formadas quando ainda estávamos no útero de nossas mães. Seu tamanho e formato são definidos pela carga genética hereditária, mas fatores ambientais, como a pressão das paredes uterinas e o fluxo do líquido amniótico também podem influenciar. Algumas pessoas, contudo, podem apresentar a Síndrome de Nagali, que determina que a ponta de seus dedos seja lisa, sem qualquer demarcação.

Historiadores indicam que desde a Antiguidade algumas civilizações já utilizavam as impressões digitais como forma de garantia para acordos. Em 1892, antropólogo britânico Francis Galton publicou um livro no qual afirmou pela primeira vez a individualidade e imutabilidade das impressões digitais.

DNA

As mais recentes pesquisas sobre os genes humanos mostram que nosso DNA é mais similar ao de outros primatas do que imaginávamos: a sequência humana e a sequência de gorilas distinguem apenas 1,6%. Entre cada um dos homo sapiens que vivem na Terra, a diferença é ainda menor: estima-se que 99,5% de cada DNA seja igual.

Isso significa que somos muito mais parecidos do que diferentes, do ponto de vista genético. Mas esse 0,5% é muita coisa: como se estima que haja entre 3 e 3,5 bilhões de letras de código de DNA, esse pequeno percentual mostra que temos pelo menos 15 milhões de códigos diferentes.

Íris dos olhos

Se você se esforçar muito e observar com atenção os olhos de outra pessoa, dificilmente vai notar diferença entre a íris de um e de outro. Isso porque, na verdade, o que torna um olho humano completamente único é o que está por trás dela. É o conjunto de cor, profundidade, manchas, músculos, tendões e vasos sanguíneos que dá forma.

A formação da íris é resultado da carga genética hereditária (por exemplo, cor e textura) e desenvolvimento embrionário (caso dos tendões e músculos) – assim nem mesmo quem divide muitos genes semelhantes é igual. Em alguns países, como Estados Unidos e Reino Unido, o reconhecimento de olhos é aceito como prova de identidade.

Orelhas

Assim como as impressões digitais, as orelhas não mudam de formato ao longo da vida – embora tenham crescimento constante e ininterrupto. Elas são mais um exemplo da combinação entre genética e influência do ambiente: o desenho é herdado de nossos antepassados, mas dentro do útero, elas começam a crescer a partir da quinta semana e vão se formando influenciadas pela posição do feto.

Algumas pesquisas já estão tentando criar métodos de biometria auricular. Nos Estados Unidos, uma universidade chegou a propor uma medição cujo percentual de acerto é de 97,6%.

Voz

Cantores covers, atores e atrizes e comediantes tentam e até chegam muito perto, mas ninguém consegue imitar com perfeição a voz de outra pessoa. Isso porque quando a voz é emitida da boca, ela mobiliza muitas partes das vias aéreas: laringe, palato, língua, lábios, bochecha e nariz, além, claro, das cordas vocais – e é impossível que duas pessoas tenham tanto elementos exatamente iguais.

Cheiro

Antes de tudo é preciso entender que ninguém tem um cheiro, mas, sim, vários diferentes odores. E nem mesmo em nosso próprio corpo podemos produzir aromas iguais: por exemplo, a axila e o pescoço nunca terão o mesmo cheiro, embora o cheiro de cada uma das partes do corpo seja mantido ao longo de anos ou até da vida toda.

E, na verdade, as secreções e o suor humanos não tem cheiro algum. O que gera os diferentes odores que nosso corpo emite são as bactérias que colonizam a pele: elas se alimentam das células humanas e este processo é o que produz cheiros.

Microbioma

Elas, as bactérias, também são exclusivas para cada um de nós. Um corpo humano médio tem quase 40 trilhões de bactérias, e a maior parte delas a ciência ainda não conseguiu identificar. Ou seja, não sabemos sequer quem habita nosso próprio organismo, mas sabemos que, dada a complexidade dessas colônias, não é possível que dois corpos tenham 40 trilhões delas iguais.

Há pesquisas que mostram que mesmo em situações corriqueiras, como o toque da mão em um teclado, a pele deixa uma impressão bacteriana exclusiva.

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