É difícil resistir ao encanto dos coelhos. Eles são lindinhos, fofos, ativos, suas orelhas podem ser curtinhas e marotas ou longas e charmosas, seus focinhos estão sempre em movimento. Nhoim! Mas achar que sabe tudo sobre como vive um coelho apenas por essas características é a mesma coisa que achar que conhece as Kardashian/Jenner só porque as segue no Instagram: um tremendo engano.

E é justamente o desconhecimento que faz com que muitas pessoas considerem uma boa ideia dar coelhos reais de presente de Páscoa e eles sejam abandonados pouco tempo depois. Nem todos querem cuidar de um ser vivo com necessidades diferentes daquelas dos cães e dos gatos.

Ou seja, não é uma boa ideia dar coelhos de presente de Páscoa, seja para crianças, para a mozona ou para o mozão. Seres vivos não devem ser considerados descartáveis. Vamos aos fatos.

Abandono: coelhos soltos em parques, praças e ruas

Não há dados oficiais sobre o número do abandono de coelhos no pós-Páscoa no Brasil, mas as informações de defensores de animais são consistentes e tristes.

Ativista e professora do Ensino Fundamental I em uma escola particular e em uma pública em Novo Hamburgo, na grande Porto Alegre (RS), Susana (que pediu para não ter o sobrenome publicado) faz todos os anos um levantamento com os alunos sobre quem ganhou coelhos na Páscoa e, seis semanas depois, pergunta a eles como está o bichinho.

“Comecei a puxar esse assunto em 2010. De lá para cá, de 78 alunos que ganharam coelhos de avós, padrinhos ou mesmo dos pais na Páscoa, só três continuaram com os animais como pets. Os outros ‘misteriosamente’ sumiram, e meus alunos ouviram todo tipo de desculpa dos pais: que o coelho tinha fugido, que tinha ido para um sítio para ter mais espaço. Ao mesmo tempo, é só dar um pulo no parque para ver coelhos soltos”, diz.

Joana Paes Leme, biomédica e coordenadora da feira Adote Seu Melhor Amigo, em Niterói (RJ), conta que os coelhos ocupam a terceira posição no triste ranking de animais abandonados, ficando atrás de cães e gatos, nesta ordem. E que a Páscoa tem tudo a ver com isso. “Coelho é muito fofo e lúdico, as pessoas não pensam no depois”, observa. “Eles dão afeto e brincam de uma forma diferente dos cães e dos gatos, as pessoas não compreendem, não têm paciência para se informar, sentem-se frustradas e abandonam. Coelho não é brinquedo, é um ser senciente, que sente amor, dor, medo, todas as emoções.”

Dos dentes ao espaço, coelhos requerem cuidados especiais

Sabia que os dentes incisivos centrais superiores dos coelhos nunca param de crescer, e que eles precisam roer alimentos e objetos duros a vida toda para manter o comprimento deles? “É por isso que eles roem pés de mesas de cadeiras e tudo que encontrarem pela frente se não receberem os cuidados adequados”, explica a veterinária Gisele Starosky, da farmácia de manipulação veterinária Fórmula Animal-SC.

Por cuidados adequados, entenda sempre deixar à disposição deles pedrinhas e madeiras específicas para serem roídas (são vendidas em pet shops que não sejam focados apenas em cães e gatos).

“Eles também são muito ativos e não ficam bem instalados em gaiolas. O melhor para eles é haver um espaço amplo e rampas em que eles possam subir e descer livremente, para gastar energia”, esclarece a veterinária. Engaiolados permanentemente, inclusive, eles ficam estressados e podem entrar em depressão e morrer. Se houver a possibilidade de os coelhos ficarem um tempo ao ar livre todos os dias – em um ambiente seguro e controlado, obviamente -, chegamos ao mundo ideal!

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