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Há três anos, o cãozinho vira-lata Dumbinho foi atropelado e perdeu os movimentos das pernas traseiras. Resgatado por uma ONG, ficou disponível para adoção por bastante tempo, mas ninguém se interessava por ele. Além de deficiente, já era considerado velhinho para adoção, mesmo estando no auge de seus apenas quatro aninhos de idade.

Até que apareceu em sua vida a paisagista Patricia Volkmann. “Comecei a pegá-lo na clínica para ele passar os fins de semana comigo e acabei adotando-o como meu animal de estimação e filho de quatro patas”, conta.

A história já é linda só com essas informações, mas fica melhor: Dumbinho está voltando a andar! Depois de muito pensar, Patricia decidiu investir em um tratamento de acupuntura para a recuperação dos movimentos e ver no que daria: “Se desse certo seria uma vitória. Se não desse, pelo menos eu teria tentado e tirado a dúvida sobre a questão.”

A reação do cão foi imediata, e logo nas primeiras sessões ele já começou a ensaiar seus primeiros passinhos de quatro patas.

Hoje, com o tratamento quase completo, Patricia faz fisioterapia caseira em Dumbinho (sob orientação da veterinária) e o coloca para caminhar em uma parte de sua casa que exige força para subir e descer, o que fortalece a musculatura das pernas traseiras. “Ele não vai andar como antes do acidente, mas vendo ele dando suas corridas, seus pinotes e suas escorregadas com as quatro pernas já fico com o coração cheio de alegria”, derrete-se.

Alívio de dores, diminuição de remédios – e sem cirurgia

O tipo de caso de Dumbinho é um dos que mais motivam os tutores a levarem os animaizinhos à acupuntura, e perde apenas para os bichinhos idosos que fazem o tratamento para aliviar dores da idade e melhorar a qualidade de vida. É o que afirma a veterinária Carolinne Torres, presidente da Associação Brasileira de Acupuntura Veterinária e sócia-proprietária da Flor de Lótus Acupuntura Veterinária:

“Quando eles passam dos dez anos de idade, começam a surgir dores, incômodos, a necessidade de muitos medicamentos. Com a acupuntura, esse quadro pode ser revertido e chegamos a conseguir até evitar cirurgias. O tratamento também é bastante procurado para tratar lesões ósseas e articulares.”

Segundo a veterinária acupunturista Rosane Colares, isso se dá também “pela limitação da medicina ocidental em tratar tais enfermidades”. Vale lembrar que a acupuntura faz parte da medicina tradicional chinesa, e que esse papo de “terapia alternativa” para falar dela só cola aqui no Ocidente.

Paralelamente à acupuntura podem ser utilizadas técnicas auxiliares. A veterinária Lívia Aires Lisboa, especialista em acupuntura e nutrição animal, detalha isso melhor: “Para otimizar os resultados, usamos a moxabustão, que é um bastão com erva medicinal que age por meio do calor, a eletroacupuntura, o implante de ouro, a farmacupuntura e a associação com ozonioterapia, que é a aplicação do gás ozônio nos pontos de acupuntura.”

Todos os animais podem se beneficiar da acupuntura

Quando pensamos em animais fazendo acupuntura, logo vêm à mente cães e gatos, correto? Mas a terapia pode ser aplicada e chegar a bons resultados em todos os tipos de animais. Eu disse todos: cachorros, gatos, aves, equinos, bovinos, roedores, jabutis, coelhos, cobras… “Só não consegui em tubarão e em peixes”, diz Rosane.

Daí a gente vê essa lista de animais e pensa “Cobras? Pra que fazer acupuntura em cobras, gente?”. Carolinne esclarece: “Muitas vezes, por motivos de estresse ou outras questões de saúde, a cobra não consegue botar seus ovos. Elas chegam a morrer por isso. Então o Instituto Butantan [em São Paulo] experimentou a acupuntura para resolver o problema. Deu certo. Elas relaxam, botam os ovos e não correm risco de morte.”

Animais de produção, como vacas e cabras, também se beneficiam muito da acupuntura. “Há melhora na produção de leite. E o mais importante é que se consegue isso sem uso de medicamentos impróprios para animais”, destaca Rosane.

Tanto faz o tamanho: a acupuntura funciona em animais de todos os portes

O diagnóstico do problema do animal e os pontos de tratamento da acupuntura são sempre os mesmos. O que muda são os tamanhos das agulhas – é claro que não se vai usar em um pássaro uma agulha do mesmo tamanho que aquela usada em um cavalo. “Na verdade, o que faz diferença é o engajamento do tutor no tratamento. Se ele levar a sério, as chances de resultados positivos são muito maiores”, afirma Carolinne.

O tempo de tratamento varia de acordo com a idade do animal e o tipo de enfermidade tratada. As veterinárias explicam que os mais jovens costumam ter reações positivas já no final da primeira sessão, enquanto os mais velhinhos podem precisar de mais três ou quatro para começar a mostrar que está valendo a pena. As agulhas ficam espetadas por cerca de 20 minutos e não é necessário anestesiar.

E se você estiver pensando em levar seu animalzinho para a acupuntura, mas ficar meio receosa por causa das agulhas que espetarão nele, pode esquecer o medo e já marcar a consulta na veterinária. “Os animais aceitam muito bem a terapia. Muitos relaxam e até dormem durante a sessão”, garante Lívia.

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