Quase toda família tem na memória uma menina pequena com a cara toda lambuzada da maquiagem da mãe. O registro é engraçado e até natural, mas o uso de produtos de beleza na infância deve ser feito com cuidado e moderação.

“Permito sob meus cuidados um batom ou gloss clarinhos, que a deixam parecida com a mamãe. E eu vou proibir? Jamais! Ela fica radiante quando dizemos o quanto ela está linda. Criança precisa ter sua criatividade e imaginação estimulada com responsabilidade e paciência”, concorda a mãe Lizângela Lizz, em nossa página no Facebook.

É que, em excesso, maquiagens, saltos altos e companhia limitada podem antecipar um processo de adultização da criança. “Ela perde a oportunidade de viver experiências importantes da infância fazendo coisas de adulto e isso pode ter efeitos no seu desenvolvimento”, resume Ellen Moraes Sena, psicóloga carioca especialista em Terapia Cognitivo Comportamental.

Isso não quer dizer, entretanto, que meninas estão impedidas de colocar maquiagem no rosto. “Elas idolatram a figura materna e, quando percebem que a mãe se sente bonita assim, querem passar também”, conta Ellen. Logo, a saída não é proibir, mas sim fazer essa introdução sempre de um jeito infantil, lúdico.

É o que pensa a mamãe Marina Breithaupt, do blog Petit Ninos: “Acredito que a curiosidade com a maquiagem é normal já que as mães usam, então tento manter tudo no lado lúdico. Se é para brincar de maquiar, ok! O que não concordo é em trazer para o dia a dia das crianças. De vez em quando, para brincar, não vejo mal”.

Como proceder

Se for ofertar maquiagem às baixinhas, o ideal é aguardar pelo menos até que elas completem 3 anos de idade. “Antes disso, a pele é muito imatura e mais sujeita a infecções e alergias”, aponta Ana Mósca, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

A partir dessa faixa etária, a aplicação de produtos mais suaves, como batons clarinhos e sombras está permitido, mas com cosméticos infantis e em tom de brincadeira. “O melhor caminho é o do diálogo, podemos brincar, colocar de vez em quando, mas explicar que maquiagem é coisa de adulto e não deve ser utilizada todos os dias”, propõe Lívia Marques, da Psigente, no Rio de Janeiro.

No geral, deve reinar o bom senso, ou seja, não estimular a vaidade excessiva mas também deixar que a menina experimente a maquiagem se assim o quiser. O que não dá é para vincular a beleza ao estar arrumada. “Os pais devem reforçar que a filha ficará linda de qualquer forma, utilizando a maquiagem ou não”, orienta Lívia.

Até mesmo porque a cobrança estética pode ter efeitos precoces na saúde mental das garotas. “É natural que haja o interesse, mas vivemos em uma sociedade consumista e que exige um padrão de beleza que pode provocar problemas cedo, como vemos hoje casos de transtornos alimentares e depressão já nessa faixa etária”, aponta a psicóloga Lívia.

Nesse sentido, as mulheres ao redor são exemplo. “Eu não uso, mas a minha filha de 4 anos pede para usar batom quando vê a vovó usando. Eu não repreendo, mas explico minha opinião e ela decide o que quer fazer”, opina a mãe Dalvelini Barros.

Com uma baixinha de 2 anos de idade, a mãe Heidi Neves também acha cedo que ela use produtos, mas não deixa de estimular o lado criativo em momentos de brincadeira com a pequena. “A minha filha também ama maquiagem. Eu combino com ela que ela só pode maquiar a mamãe. Resultado: fico toda borrada e ela toda feliz!”, revela.

Os cosméticos certos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária registra produtos feitos para pequenas, então vale a pena checar se a maquiagem tem o selo antes de comprá-la. A categoria tem menos aditivos químicos e poder de fixação do que os produtos tradicionais e utiliza corantes naturais. O mesmo ocorre com os esmaltes infantis, que são à base d’água.

As maquiagens que acompanham bonecas e outros brinquedos não são próprias para uso humano. Já os cosméticos tradicionais e esmaltes dos mais velhos só devem ser utilizados depois dos 10 anos e, mesmo assim, sempre ocasionalmente. A pele e a saúde das meninas agradecem.

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